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quinta-feira, 23 de agosto de 2018
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
REBELDIA Lindberg Farias
Divulgando...
Boa
tarde povo!
Dia
de Pensamento Inquieto! Continuamos com os textos anunciados na primeira
postagem. Os mesmos serão divididos em várias postagens pra facilitar a
leitura.
Obs.:
Lembrando que temos uma novidade! Se você estiver sem tempo para ler o texto, a
partir de agora disponibilizaremos um link para que você possa ouvir o texto
sintetizado em MP3 (Haverá alguns sotaques visto que são sintetizadores
estrangeiros)! O(s) Link(s) estará(ão) sempre entre o primeiro e o segundo
parágrafo do texto postado.
Degustem!
GUETO
DO PENSAMENTO INQUIETO
REBELDIA
Lindberg
Farias – Presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE)
O
Pensamento Inquieto (Curso de Extensão Universitária a
Distância). Organização de Clodomir de Souza Ferreira, João Antonio de Lima
Esteves e Laura Maria Coutinho – Brasília: CEAD/Editora Universidade de
Brasília, 1993. (pp. 101 a 108).
QUESTÕES
PARA RELFEXÃO
Para
que a roda da História continue a girar é necessário que a população, ou pelo
menos parte dela, tenha uma atitude rebelde. Discutir rebeldia é
discutir nossas perspectivas para o futuro. Lindbergh Farias, líder
estudantil e presidente da União Nacional dos Estudantes, destaca a tendência
natural dos jovens a reagir contra o que lhes parece errado no “status quo” das
sociedade. A rebeldia é exclusivamente dos jovens? Ela se manifesta apenas em
momentos de crise aguda e generalizada? Existe uma rebeldia “positiva”, resultante das preocupações
com o social, e uma rebeldia “negativa”, calcada no ódio racial, no
separatismo, na revolta sem causa aparente? O que distingue os
“cara-pintadas” do movimento pró-impeachment dos “skinheads” neonazistas?
A função da universidade não é só formar recursos
humanos. A universidade tem uma função
maior, além de produzir ciência e tecnologia, que é trazer os grandes debates
da sociedade para a discussão. É da universidade que sai o conhecimento de
ponta do nosso país. Não só nas áreas de ciência e tecnologia, mas também nas
áreas de ciências sociais e de ciências humanas. Não podemos hoje nos render
aos apelos tecnicistas. Muita gente quer que a universidade seja o grande
centro de produção técnica, específica. Muita gente quer passar uma visão extremamente
tecnicista da universidade, como se fosse só sua função desenvolver as últimas
inovações em termos de micro ships, na área da engenharia, da medicina. Tentam,
de todas as formas, quebrar esse pensamento crítico, de questionamento, que
existe entre os estudantes, entre a intelectualidade desse nosso país.
Vocês veem concretamente que saiu das universidades, dos professores, da SBPC,
dos estudantes, grande parte do questionamento à ditadura militar. Saiu dos
estudantes aquele anseio concreto que existia de luta pela liberdade e luta por
justiça social, e nós temos um exemplo na UnB, o Honestino Guimarães,
ex-presidente da UNE. Então querem podar essa criatividade, essas inovações que
podem surgir na universidade. Então é nesse sentido que eu elogio a realização
desse Fórum do pensamento inquieto. Acho que já é uma atitude rebelde nossa,
parar hoje para discutir Deus, Marx, o papel do Estado, Rebeldia, Ética,
Democracia. Já é um início para tentarmos resgatar a verdadeira função da
universidade, que não é só a universidade que formaria os maiores cirurgiões plástico
do mundo, mas é o Brasil que não forma nas universidades o médico que discute a
prevenção de doenças que atinge o grosso da população brasileira. É o Brasil dos arquitetos especializados em
construção de mansões luxuosas, e não o Brasil que forma arquitetos que
elaborem projetos alternativos de construção de moradia popular. É o Brasil dos
profissionais que saem, porque essa é a visão que querem passar, saem da
universidade comprometidos apenas com os interesses das elites. Acho
que o nosso ato de rebeldia é questionar nossos currículos, tentar romper essa
cerca da universidade e criar, de fato,
laços da universidade, laços do ensino, da pesquisa, da extensão, com a
comunidade carente, com essa população brasileira, miserável. É preciso,
sim, sair do gueto. Nós queremos que essa tal de universidade pública e
gratuita, que falam que existe, não seja só o fato de a gente não pagar a
mensalidade. Mas
esse ‘público’ significa que a universidade tem de ter ligação com os
interesses da maioria da população. A universidade não pode estar
distante, por exemplo, dos arrastões do Rio de Janeiro, do pessoal da saúde,
dessa epidemia do cólera. A universidade
tem de estar perto, vinculada aos interesses imediatos da população brasileira.
Esse é o grande debate que existe hoje na universidade. A luta pela
‘publicização’. Faço esse apelo para que cada um, no cotidiano, no dia-a-dia,
na sua forma de agir na sala de aula, nas discussões sobre os currículos, e
também a instituição, como um todo, se rebelem nesse momento. Nós temos de
construir agora uma universidade vinculada aos interesses mais populares, e não
transformar a universidade em shopping Center do conhecimento para os grandes
grupos econômicos. Não podemos transformar as universidades apenas
em produtoras de ciência e tecnologia para as grandes empresas. A universidade
tem de se ligar aos interesses da maioria da população.
Comecei com esse tema Rebeldia, tocando em coisas do
nosso dia-a-dia concreto, na universidade. Acho que a discussão da rebeldia
está extremamente ligada também com a discussão do futuro. Rebeldia está
extremamente ligada ao futuro. O que é que leva o motor da história a andar? O que leva às
mudanças na sociedade? É a indignação, a inquietude, que faz as pessoas se
rebelarem contra esse determinado estado de coisas. Pode-se dar
vários exemplos disso. A Revolução Francesa, a Revolução Russa, os cubanos,
quando fizeram sua revolução, eram chamados de Rebeldes. Isso em todos os
momentos da história. Para a roda da
história andar é preciso que a população, ou pelo menos um setor dela, se
rebele. Então, discutir rebeldia é discutir as nossas perspectiva para o futuro.
E aí a discussão da rebeldia se liga à questão da juventude. Há quatro meses
todos diziam que o movimento estudantil tinha acabado, a UNE tinha morrido, os
estudantes não tinham nenhum papel a jogar no processo político do país. Era a
juventude da geração coca-cola e que não tinha mais jeito. Era coisa da década
de 1960. Isso circulava não só no meio dos estudantes, mas no meio de
intelectualidade, em toda a sociedade existia essa discussão. Quem se apressou
em rezar a missa de sétimo dia da participação política dos estudantes deve ter
ficado impressionado com a vitalidade do defunto, depois de todas essas
mobilizações pelo impeachment. Sempre foi uma marca da juventude do nosso país a
participação política em momentos cruciais.
A UNE foi criada em 1937, já se organizando contra a
ditadura do Estado Novo. Vários líderes estudantis jogaram um grande papel em
toda essa mobilização. Depois os estudantes pressionaram o governo de Getúlio
para entrar na guerra contra o nazi-fascismo, no momento em que o governo
balançava por suas ligações com a Alemanha de Hitler. Os estudantes também
jogaram um importante papel na luta “O petróleo é nosso”, e também no governo
João Goulart, pelas reformas de base: educação, agrária, etc. E o período todo
especial da ditadura militar de 1964. Os estudantes tiveram um papel em todo
aquele processo. A primeira atitude dos generais foi destruir o histórico
prédio da UNE, localizado na Praia do Flamengo, nº 132, na madrugada do dia 31
de março para 1º de abril. Mesmo com o cerco militar, a turma continuava nas
ruas. Houve a passeata dos cem mil em 1968, liderada no Rio por Wladimir
Palmeira. Logo depois do AI-5 teve o Congresso da UNE, em Ibiúna, interior de
São Paulo, que reuniu estudantes do Acre ao Rio Grande do Sul, provocando um
grande cerco do Exército e a prisão dos líderes estudantis nacionais. Foi nesse momento que ganhou força a
palavra de ordem: “A UNE somos nós, nossa força, nossa voz.” Porque no
outro dia nos jornais da repressão, da ditadura militar, colocaram na capa que
depois do Congresso de Ibiúna tinham prendido todos os líderes, e o movimento
estudantil tinha morrido. Respondendo à imprensa, aconteceram mobilizações
espontâneas dos estudantes em todo o país, que levantavam aquela bandeira da
“UNE somos nós, nossa força, nossa voz”. Ou seja, mesmo sem as lideranças,
mesmo sem os dirigentes da UNE aqui estão os estudantes novamente lutando pela
liberdade, Não foi só isso. Tentam apagar da história, por exemplo, as
mobilizações de 1977 dos estudantes em São Paulo e no Rio de Janeiro pela
anistia ampla, geral e irrestrita, em nosso país. Então, é um pouco precipitado se
afirmar que o movimento estudantil e a juventude não jogavam mais nenhum papel
no processo político nacional.
Se avaliarmos, não é só a questão do Brasil. Toda vez que a crise na sociedade é geral,
que faltam perspectivas para o futuro, a juventude sai com vigor às ruas. O
que foi o processo do leste europeu? Quem estava na frente daquelas
mobilizações lá? A juventude daqueles países. Na queda do muro de Berlim, a
participação da juventude também foi importantíssima. Na Coréia do Norte, vemos
o sonho da juventude coreana da unificação das duas Coréias. Mesmo em Los
Angeles, aquela revolta dos negros, de uma imensa maioria de jovens negros. E
aqui no Brasil, em todo esse processo do impeachment. Analisando bem, essa sempre é uma característica da juventude. Não só
agora, para o futuro também, quando não existirem perspectivas. Essa juventude
funcionou um pouco como termômetro. Ela se rebela com mais facilidade e
ocupa as ruas em grandes manifestações. É errado dizermos e associarmos essa
rebeldia da juventude e a rebeldia do nosso povo apenas às grandes lutas
políticas. A rebeldia é algo inerente ao próprio ser jovem, por vários motivos.
Primeiro, por não estar participando ainda de maneira efetiva do setor
produtivo. A rebeldia tem muita liberdade. Ela, às vezes, é canalizada num
grande processo de participação política, outras vezes, não. Por exemplo: em
determinados momentos da história, quando as perspectivas não são claras,
podemos dizer que não é uma forma rebelde de comportamento a proliferação na
Europa, em determinado momento da história, de grupos darks e grupos punks.
Sim, é uma forma de contestação, é uma forma de rebeldia contra uma situação,
mas sem saber qual a saída. Rebeldia contra um determinado sistema social, mas
sem saber quais seriam os rumos de modificação de tudo isso. Outro exemplo é o
caso de Los Angeles. Aquela juventude negra foi às ruas contra as
discriminações racial e social, mas não sabia quais as formas e os caminhos da
luta. Tem até uma música de Cazuza que fala: “Ideologia, eu quero uma pra viver.
Meus heróis morreram de overdose, etc.”, que reflete o pensamento da juventude
naquele momento. Ele demonstra, naquela
música, a revolta contra a situação que existia no Brasil, mas não existiam
perspectivas de transformação. Não existiam de forma clara para essa juventude
as formas de mudança. A rebeldia esta presente. O mundo de hoje se utiliza
muito do fracasso da experiência do socialismo no leste europeu; da queda do
muro de Berlim, pra tentar passar para o jovem, especialmente o do Terceiro
Mundo, que o sonho do socialismo morreu. Mas não só isso, tentam passar além disso
que o sonho de construção de um mundo coletivo morreu, que o Brasil
coletivo não existe mais, tentam passar que qualquer coisa coletiva é démodé,
que cada um deve discutir a construir sua vida própria. O jovem deve entrar
para a universidade, anotar o que o professor fala, não participar do centro
acadêmico, ir para casa, não participar de um fórum como este, não participar
de nada disso. Essa
é a mensagem que tentam passar para nossa juventude, através da grande mídia.
CONTINUA NA PRÓXIMA
QUARTA...
Obs.: Os negritos
itálicos são os destaques do texto original; os [ ], os negritos
e os negritos
vermelhos são destaques nossos.
terça-feira, 21 de agosto de 2018
Material Didático digital
Divulgando de ClipEscola...
5 sites com material didático digital para tornar as suas aulas uma
experiência extraordinária
14 de maio de 2018 | sem
comentário | Categoria(s): Tecnologia no Ensino
Há quanto tempo você não vê o brilho nos olhos dos
seus alunos? As suas aulas ainda despertam entusiasmo? Se você sente que “algo
está faltando”, talvez esteja na hora de procurar por reforços. Além do
material didático tradicional que você utiliza, que tal experimentar introduzir
alguns conteúdos digitais e proporcionar aos alunos um aprendizado
multimídia?
Para se comunicar com pessoas que já nasceram em um
mundo em plena efervescência tecnológica, nada mais efetivo do que falar a
mesma língua que elas, não acha?
E se você já se deu conta disso, mas não sabe aonde
encontrar um material didático em formato digital que supra suas
necessidades, nós vamos te dar o caminho das pedras! Confira a nossa lista de
sites com materiais nesse formato:
Sumário
- 1 M³ Matemática Multimídia
- 2 Escola Digital
- 3 Portal do Professor
- 4 Recursos Educacionais Abertos
- 5 Projeto SEEDUC
1 M³
Matemática Multimídia
A matemática é uma matéria que muitos alunos
torcem o nariz. É preciso muita criatividade para instigar neles o gosto pelos
números. O uso de um material didático tradicional é um meio mais difícil para
atingir a esse fim. Mas existem outros bem mais promissores.
O M³ Matemática Multimídia é um deles. O portal disponibiliza
diversos recursos educacionais de ensino médio em formato multimídia,
desenvolvidos pela Unicamp. Os experimentos, vídeos, softwares e áudios podem
ser copiados e distribuídos para os alunos, só não podem ser comercializados.
Os temas principais dos recursos são análise de
dados e probabilidade, geometria e medidas, e números e funções. Cada um desses
temas é dividido em diversos subtemas, como probabilidade, estatística,
trigonometria, geometria plana, matemática financeira, sistemas lineares,
matrizes, entre outros. Vale a pena conferir!
2 Escola
Digital
Que tal ensinar física térmica e hidrostática
mostrando simulações de emissão de gás carbônico pelo escape de carros? Ou
então, explicar química das coisas exibindo um vídeo com demonstrações
práticas? Ou ainda, dar uma aula sobre a Revolução Russa usando animações?
Isso está ao seu alcance, e sem nenhum custo
envolvido! O site Escola
Digital oferece material didático em forma de animações, infografias,
apresentações multimídia, livros digitais, jogos, simuladores, quiz, áudios,
entre outros.
Em meio a tantas opções, você pode estar pensando
que é difícil encontrar algo mais específico sobre um assunto. Para a sua
sorte, é muito fácil. Além de o site disponibilizar um campo de buscas, ele
também permite o uso de diversos filtros. É possível filtrar a pesquisa por
tipo de mídia, disciplina e até por acessibilidade.
3 Portal
do Professor
A terceira opção da nossa lista é um site que cobre
um grande leque de temas e níveis de ensino: o Portal do
Professor. Lá é possível encontrar um rico acervo de recursos para o
ensino. Com tantas opções, o difícil é achar um motivo para não incluir
material didático digital em sala de aula.
Os temas são trabalhados em formato de vídeo,
áudio, foto, pdf, entre outros. Além disso, o professor também tem à disposição
recursos como caderno digital, sugestões de aula, cursos, ambiente colaborativo
de aprendizagem, obras de domínio público, materiais de estudo para o docente,
etc.
O caminho dá ao professor não apenas os meios para
trabalhar com conteúdo multimídia em classe, como também as condições para que
ele possa aprimorar-se. Com esse conjunto de peso, certamente o aprendizado
ganhará em qualidade. Então fica a dica!
4
Recursos Educacionais Abertos
Também contribuindo para a socialização do
conhecimento, o site Recursos
Educacionais Abertos (REA) é responsável pela reunião de conteúdos
colaborativos de ensino em diversos formatos.
O professor consegue encontrar por lá uma vasta
quantidade de material didático que está disponibilizada no menu Mão na
massa>Compartilhar. Clicando nos links, é possível deparar-se com
preciosidades como: uma entrevista em vídeo com Clarice Lispector, acervos de
jornais impressos digitalizados, áudios sobre matemática financeira, entre
outros.
Para o educador realmente comprometido com o
aprendizado dos alunos, este site é um achado. A qualidade, quantidade e
variedade dos recursos disponibilizados dá a ele a base de que necessita para aulas
interessantes e motivadoras.
5 Projeto
SEEDUC
O Ensino de Jovens e Adultos (EJA) é o foco
principal desta página do projeto SEEDUC. Ela disponibiliza um
material didático multimídia bem completo de 13 disciplinas. E embora seja
voltada para EJA, nada impede que alguns dos recursos sejam utilizados
em outros modelos de ensino.
Professores de escolas de idiomas, por exemplo,
podem encontrar nela conteúdo para incrementar as aulas, pois entre os
materiais disponibilizados estão os das matérias de inglês e espanhol.
E diferentemente dos outros sites desta lista, a
página do Projeto SEEDUC não permite a visualização do material de forma
online. Ao clicar sobre o nome das disciplinas, o download do conteúdo se
inicia de maneira automática. Isso pode demorar até algumas horas, mas para dar
aos seus alunos essa experiência com material didático digital, vale a
pena a espera!
Leia mais
Com a
nossa lista, agora você já tem material didático o suficiente para tornar as
suas aulas muito mais instigantes. Qual das opções você mais gostou? Comente
aqui!

A autora é
Jornalista, pós-graduada em Produção Multimídia e atua na ClipEscola como
Conteudista de Marketing Digital.
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
ÉTICA 2 LULA
Divulgando...
Bom
dia povo!
Dia
de Pensamento Inquieto! Continuamos com os textos anunciados na primeira
postagem. Os mesmos serão divididos em várias postagens pra facilitar a
leitura.
Obs.:
Lembrando que temos uma novidade! Se você estiver sem tempo para ler o texto, a
partir de agora disponibilizaremos um link para que você possa ouvir o texto
sintetizado em MP3 (Haverá alguns sotaques visto que são sintetizadores
estrangeiros)! O(s) Link(s) estará(ão) sempre entre o primeiro e o segundo
parágrafo do texto postado.
Degustem!
CONTINUANDO...
Eu quero dizer que a questão da ética vai exigir de nós
uma dinâmica um pouco maior. Se pararmos
no impeachment do Collor, não
estaremos contribuindo com o tipo de sonho que despertou, que levou milhões de
pessoas às ruas, e que motivou toda essa briga para afastar o presidente. É
preciso que nós, de uma vez por todas, exijamos a moralidade na administração
pública. Ninguém
pode ser eleito nesse país e governar, ou legislar em causa própria. Ninguém
pode determinar, sem consultar organismos democráticos da sociedade civil,
sobre coisas que mexem diretamente com o dinheiro público. Nós vimos
agora que a Caixa Econômica Federal deu um desfalque de quase 11 trilhões de
cruzeiros no FGTS. Com que direito um cidadão pode mexer em 11 trilhões de
cruzeiros que não são dele, que são de toda a sociedade, sem que esta sociedade
tenha o direito de saber se ele mexeu ou não no dinheiro?
Nós precisamos começar a perceber que não é
ético, por exemplo, os deputados legislarem sobre seu próprio salário.
É preciso que haja mecanismos para que as coisas sejam feitas mais às claras.
Eu não estou aqui fazendo juízo de valor sobre salário de deputado. Mas acho que
devemos ter outro comportamento para servir como exemplo, da mesma
forma que nós não podemos permitir que um presidente de uma empresa estatal
trate a coisa pública como se fosse particular, e a partir dali ele empregue o
carreirismo, sem levar em consideração nenhum critério de produtividade, de
rentabilidade de uma empresa. Não é que as empresas estatais não funcionem. Nós
estamos quebrando, não porque elas não prestem, nós estamos quebrando porque elas
são mal administradas, porque elas não são administradas como coisa pública,
mas como coisa privada. É a coisa
pública a serviço de determinados grupos, quando deveria estar a serviço de
todos. Se nós não fizermos isso, não estaremos estabelecendo a ética neste
país. Como acho
que a falta de ética é uma coisa quase milenar, só não é milenar porque o
Brasil não tem mil anos, nós precisamos de muita luta para começar a mudar a
situação desse país.
Vocês imaginem, por exemplo, o que é falta de ética com a
nossa juventude. Acabou de ser aprovado a Estatuto da Criança. As pessoas fazem
discurso chorando na Câmara dos Deputados. Várias comissões dos direitos
humanos saem pelo mundo a fora divulgando o Estatuto da Criança que foi
aprovado. As crianças têm direito a tudo: a uma família, a uma casa, à
educação. É fantástico do ponto de vista de do princípio geral que está contido
na lei. Mas quando
olhamos este mesmo Estatuto da Criança que determina tudo que elas têm direito,
e percebemos que neste país o salário mínimo é de apenas 50 dólares, nós
imaginamos: “Não pode ser verdade”, e não pode combinar o Estatuto da Criança
com a distribuição de renda no país. Por isso é que no
Brasil se adota um discurso de que a lei “pega, ou não pega”. Porque,
se as pessoas fazem o Estatuto da Criança com boa vontade, tentando responder
àquilo que é fundamental, é preciso que, do ponto de vista econômico, o governo leve em
consideração uma boa distribuição de renda, para que possam se cumpridas as
exigências que estão na Constituição, no Estatuto da Criança, no
Estatuto da ONU dos Direitos Humanos, de garantir às pessoas o direito à
cidadania.
Como se pode falar
em ética num país em que apenas 1% da juventude está na universidade. E a juventude que
está na universidade é privilegiada, porque, além de poder estar na
universidade, é a que pode estar organizada. Quando poderemos organizar esses milhões de jovens que não entram no
mercado de trabalho, que não entram nas escolas e que, portanto, estão
predestinados a serem vítimas da violência da polícia nas ruas das grandes
cidades? Isso é falta de ética. É dever do Estado, agindo eticamente, garantir para todas as
pessoas esse direito à universidade. Quanto aos meios de comunicação,
a questão da ética deve ser considerada. Qual
o acesso que se tem hoje na determinação da programação da televisão? Outro
dia o Chico Anísio falou mal de mim no ‘Fantástico’. Eu entrei com direito de
resposta na Justiça e em contato com o chefe de programação da Globo. Eles me
deram o direito de resposta durante um minuto e trinta segundos. No outro
domingo Chico Anísio falou outra vez. Eu teria que entrar na Justiça e demora
mais quatro meses. Que ética é essa?
Quando alguém pode falar mal de você e você não tem o direito de responder
imediatamente? Às vezes você é obrigado a esperar seis meses, e quando chega o
direito de resposta, acabou o momento político apropriado. Que ética
é essa nos meios de comunicação quando qualquer pessoa, que votou cinco anos
para Sarney, conseguiu rádio, conseguiu televisão e o sindicato de São
Bernardo, há quatro anos com um pedido de uma estação de rádio, não consegue.
As universidades não têm direito a um canal de televisão, uma emissora de
rádio! Então, não é possível!
A informação tem muito a ver com a ética.
A informação
pode acobertar determinadas coisas e pode divulgar outras tantas.
Por exemplo, no caso da NEC, e que há denúncia de envolvimento do Roberto
Marinho e Antonio Carlos Magalhães. Está certo que outro que estava envolvido
também, o Mário Garnero, não é nenhum santo. Mas ele estava envolvido.
Eles fizeram um
acordo em Brasília, ACM e Quércia, para não se tocar, tanto na VASP quanto na
NEC. E os meios de comunicação não divulgam. Como é que podemos,
efetivamente, falar que existe ética em nossos meios de comunicação? A censura
ideológica é determinada pelo dono da emissora na programação jornalística e na
programação normal.
A questão da
concentração de renda é outro aspecto que deve ser estudado com seriedade. Será que é ético um
país que tem uma renda per capta de
4.36 dólares ter uma grande maioria vivendo com menos de cem dólares?
Não
é uma distribuição ética. No mínimo alguém está comendo o pãozinho que
está faltando para aquele cidadão que está morando embaixo da ponte, ou para o
companheiro camponês que está se afastando da sua terra natal para ser mais um
indigente em uma grande metrópole brasileira. Não é ético, não é apenas no
Brasil. Não é ética a relação do
Primeiro Mundo com o Terceiro Mundo. Se imaginarmos que nós, do Terceiro Mundo, consumimos apenas
27% da riqueza e representamos 80% da população; se imaginarmos que 80% da
população pobre comem apenas 20% da riqueza produzida; que 20%, representantes
do Primeiro Mundo, consomem 80%, percebemos que há uma inversão de valores
extraordinária. Tem gente comento nosso bife. Tem gente tomando
nosso café.
E o que é grave. Fui a um debate em Berlim e um físico de
Munique começou a discutir uma coisa que me chamou muito a atenção. Precisamos começar, no Primeiro Mundo, a
parar de discutir o que a gente vai conquistar. Nós agora precisamos começar a
discutir o que vamos devolver.
Por que ele levantou essa tese? Ele levantou essa tese porque, num estudo que apresentou na
universidade, chegou à conclusão que, para garantir a todo o povo do Terceiro
Mundo o mesmo padrão de vida de um europeu ou de um americano, seria necessário
que o planeta Terra fosse três vezes maior do que ele é hoje. Como não dá
para aumentar o planeta Terra, e nós ainda não dominamos Marte ou outros
planetas para sabermos se há riqueza para explorar, é preciso começar a distribuir, de forma mais justa, o que já existe,
porque senão, vai predominar na cabeça dos que já têm que nós temos que morrer
sem ter. Então,
começa a prevalecer a ideia que tem que haver pobre mesmo, para que possa haver
rico. Imaginem se, de repente, na China, todo chinês tivesse um
carro. Ou se todo chinês tivesse um aparelho de ar-condicionado. Eu cito a
China, poderia ser todo o Terceiro Mundo.
A falta de ética
na distribuição da riqueza, que teoricamente deveria ser de todos, é o que gera
falta de ética nos comportamentos, que vão descendo até chegar, às vezes, às
nossas salas de aula, ao nosso Congresso Nacional, à nossa Câmara de
Vereadores, às vezes até na nossa própria casa. É por isso que digo que a ética envolve
muito mais do que a questão política, porque envolve nossa formação religiosa,
envolve nossa formação ideológica, envolve o que pensamos do mundo. O mundo, que está na nossa cabeça, está
muito ligado ao nosso comportamento ético. É por isso que tem um ditado que diz: “A cabeça
pensa aonde os pés pisam”. Nós somos resultado do nosso meio
ambiente. Se nós vivemos num meio ambiente corrupto, a tendência natural é
aprendermos a viver com a corrupção sem que isso pareça um mal maior para todos
nós. E nós sabemos que num país como o Brasil a roubalheira chega a tal
ponto que o jornal O Globo (não é
coisa do jornal da UNE, nem do PT, nem do PC do B, nem do PPS, nem do PSB)
publicou uma pesquisa, no dia 27, na primeira página, em que de 4190 empresários
pesquisados, 90% sonegam algum tipo de imposto.
Há quem diga que para
cada cruzeiro arrecadado há um cruzeiro sonegado. Só para entendermos os
números, o Imposto Territorial Rural, em 1991, arrecadou apenas 53 milhões de
dólares, o IPI de cigarro arrecadou um bilhão e meio de dólares. Isso significa
que os grandes latifundiários deste país não estão pagando imposto, significa
que muitos empresários estão sonegando imposto. E se eles estão sonegando imposto, estão faltando com a ética com
aqueles que pagam, que são aqueles que recebem o contracheque no final do mês,
porque é descontado na fonte.
Finalmente gostaria de terminar dizendo que precisamos
colocar a questão da ética na ordem do dia outra vez. É preciso que
continuemos passando para a classe política, para os empresários, para os
sindicalistas, para os estudantes e para a sociedade que a luta pela ética não
deve acontecer somente num determinado momento histórico em que um governante
está envolvido numa maior ou menor corrupção. A ética exige de nós um comportamento diário. Durante um mês, durante
um ano, durante nossa vida. Nós temos que exigir que as pessoas sejam
sérias. Nós temos que exigir um comportamento digno. Nós precisamos exigir que as pessoas que
administram a coisa pública a administrem enquanto coisa pública, sabendo que
ela é de todos e não deles. Se nós não entendermos isso como o
cotidiano de nossa vida, estaremos contribuindo para que os corruptos continuem
a vingar neste país. Não haverá nenhuma
possibilidade, neste país, de se resolver o problema do analfabetismo, o
problema de s5 milhões de deficientes físicos, de milhões de jovens que estão
desempregados, sem escola para estudar, de milhões de meninas e meninos que
estão se prostituindo a troco de um prato de comida. Não existirá nenhuma
possibilidade de se evitar o êxodo rural. Não há possibilidade de mudar a
política de distribuição de renda se não exigirmos que este país, de uma
vez por todas, vire um país ético, com as pessoas se comportando decentemente.
Depende somente de nós. Podemos exigir isso em nossas escolas, nossos sindicatos, em
nossas casas.
Gostaria de
abordar, também, o problema dos meninos de rua. Quero dizer que não é apenas
responsabilidade do Estado. Quantas pessoas poderiam se responsabilizar por uma
criança de rua? Quantos de nós poderíamos adotar uma criança? Empresário, comerciante?
Não seria levar para casa, mas assumir a responsabilidade do material escolar e
da cesta básica de uma criança, da sua alimentação mensal. Por que ficamos
apenas esperando, jogando a culpa no Estado, como se nós ganhássemos e
pudéssemos resolver isso amanhã? Por que que nós não assumimos enquanto
cidadãos? Por que cada grande empresário não duas, três crianças de 14 a 16
anos trabalhando um período, estudando no outro, e ganhando um salário, tendo
material de escola, tendo onde dormir? Por que nós não fazemos esse gesto, que
é uma coisa mais prática, uma coisa mais concreta, que uma parcela da sociedade
pode fazer? Acho que os alimentos que são jogados fora neste país poderiam
minorar a fome de milhões de crianças de rua que estão aí. É uma coisa que nós
vamos ter que pensar, enquanto sociedade organizada. Não dá para ficar jogando
a culpa em cima dos outros. Porque, aqueles mesmos que prometem que vão
resolver, quando ganham as eleições são os primeiros a mandar a polícia bater,
porque pobre não pode ir à praia. Afinal de contas, vai poluir aquela praia de
água tão limpa. Como vamos impedir que um pobre da favela de Santa Marta desça
o morro e faça uma desgraça qualquer? Aqueles moleques estão a dois mil metros
de altura, vivendo no meio de fezes, de esgoto, de tudo que não presta. O
‘inseto’ menor que passa perto deles é o rato. Então eles descem o morro,
chegam à avenida Atlântica, chegam a Ipanema. Aquelas crianças são induzidas
pelo seu subconsciente a praticar qualquer coisa.
Aí, sim, é que entra
o Estado, com mecanismos de educação, de distribuição de renda, mas também nós
podemos contribuir. Essa é uma coisa que precisamos começar a pensar, e não
largar apenas nas mãos dos outros. Nós precisamos começar a assumir, porque não
é pouca gente, é muita gente. E a desgraça é só tentarmos cuidar da miséria a
partir da própria miséria. E vamos resolver o problema da miséria cuidando onde
ela já existe. Temos que evitar que novos focos de miséria comecem a surgir
neste país. Precisamos cuidas das crianças de rua de hoje, evitando que
surjam novas crianças de rua, através de um programa de educação para que as
pessoas saibam efetivamente controlar a natalidade, até a produção de alimentos
para distribuição gratuita aos segmentos mais pobres da nação. E a questão da fome é tão séria que o
cidadão pode não ter onde dormir, ele dorme na calçada, pode não ter onde tomar
banho, que ele fica sem banho, agora, sem comer, não dá.
Gostaria de juntar um leque de pessoas, de entidades, de
Igrejas, para ver se despertamos neste país a consciência contra a fome. Porque
antigamente, quando eu era pequeno, minha mãe era miserável, não tinha o que
comer, mas se chegasse um mendigo em nossa casa, pedindo um prato de comida, o
que fazíamos naquela época? Mandávamos entrar, e dávamos um prato de comida.
Hoje, nós estamos tão assustados que se chega alguém pedindo comida, a primeira
coisa que se faz é fechar o portão e não atender. Nós estamos perdendo por indução, por causa da ideologia vendida pela
televisão, aquilo que nós tínhamos de mais sagrado que era o nosso espírito de
solidariedade. Nós estamos perdendo isso e precisamos recuperar.
Por isso, eu quero dizer a vocês que as diferenças
ideológicas não devem impedir que as pessoas se unam. Na votação do impeachment
do Collor, todos nós nos unimos. Estávamos com a disposição de arrumar 336
votos, e não tive nenhum constrangimento em conversar com o Quércia, do mesmo
modo que conversava com o Lindberg, o Ibañez, ou qualquer outra pessoa. Terminada essa fase, houve afastamento
ideológico entre várias pessoas, mas poderá haver momento em que tenhamos que
nos juntar outra vez. O Itamar está na presidência e nós precisamos voltar
a nos mobilizar para fazer este país voltar a andar. Este país está parado, atrofiado, estagnado, e
nós temos que fazer este país andar, temos que discutir corretamente com Itamar
a distribuição da riqueza, o que se vai fazer neste país.
Nós entregamos um projeto, não para o Itamar, mas para os
partidos políticos, um projeto que não é do PT, é um projeto que entregamos
para o PV do B, PTR, PSB, o PSDB, o PDT, mesmo fazendo oposição ao Itamar.
Quando for necessário, nós precisamos chegar, não apenas ao Itamar, mas a todos
os presidentes de partidos políticos, com uma proposta concreta para dizer à
sociedade: nós sabemos fazer oposição, nós sabemos tirar governo, mas nós temos
responsabilidade com este país, e nós queremos que o governo execute essa
política, porque essa política é que poderá recuperar a esperança do nosso
povo, de que o país vá crescer. É com essa visão que nós apresentamos um
projeto para discussão. E eu espero que o presidente Itamar (depois do dia da
votação do impeachment) faça um pronunciamento à nação e diga
concretamente o que ele vai fazer e quais são suas primeiras medidas. Porque eu
já começo a ver grandes companheiros nossos que estão no começando a justificar
o injustificável. Nós não poderemos mais ouvir de um governo a seguinte tese: é
meu primeiro ano, vocês têm que aguentar. É o primeiro ano para ele, mas para
nós já faz vinte ou trinta anos que estamos esperando esse primeiro ano. Por
isso, vocês vão ter que assumir essa briga, para não deixarmos que daqui a alguns
meses o povo comece a ficar com saudades do Collor. Nós pensávamos que o Maluf
esta morto em 1982 e percebemos que não estava. Portanto, temos que empurrar o
Itamar, e quando eu digo empurrar é para empurrar mesmo, porque podemos ficar
mais dois anos na expectativa. E aí vocês, do movimento estudantil, vocês da
universidade, professores, funcionários, têm um papel extraordinário, por
estarem aqui em Brasília, nesse trabalho de pressão que precisamos continuar a
fazer no país.
Obs.: Os negritos
itálicos são os destaques do texto original; os [ ], os negritos
e os negritos
vermelhos são destaques nossos.
SUGESTÕES
DE LEITURAS
A ética na política – Denis
Rosenfeld. Brasiliense, 1992.
Ética – Adauto Novaes
(org.). Sec. Municipal de Cultura de São Paulo, Companhia das Letras, 1992.
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