terça-feira, 20 de novembro de 2018

Artigo do Secretário de Educação do futuro governo do DF

Divulgando de Metrópoles...


Para onde deve caminhar a Educação do Distrito Federal?

18/11/2018 5:22 . atualizado em 19/11/2018 22:30
Uma sociedade não evolui sem investir em educação. Dela dependem os desenvolvimentos econômico, social e humano, o bem-estar, a qualidade de vida, a saúde, a segurança, etc. Os países mais ricos e sérios priorizam, realmente, a educação. Países em desenvolvimento acelerado, como Polônia, Vietnã, República Checa e Estônia conseguiram construir um pacto político e social pela educação. É disso que precisamos no Distrito Federal, e é essa a vontade do novo governo.
A rede distrital já tem uma série de vantagens em relação à média nacional, mas enfrenta enormes desafios. Temos o melhor quadro técnico, com a maior proporção de mestres e doutores, menores distâncias geográficas e remunerações superiores à média (o que não significa que não devamos ser mais ambiciosos).
Entretanto, precisamos melhorar muito a infraestrutura das escolas, as condições de trabalho, as políticas de formação continuada, de reconhecimento, de comunicação, de articulação e de transparência. É fundamental ampliar e qualificar os investimentos em diversas áreas. Devemos motivar os profissionais da educação e cuidar deles.
Mais sobre o assunto
Para enfrentar os desafios internos da rede e das escolas, não há outra saída senão a de contar com a seleção e o desenvolvimento profissional contínuo de técnicos altamente qualificados ocupando posições estratégicas. Nossos profissionais devem ser competentes, íntegros, comprometidos e motivados. Para isso, já começamos o planejamento de uma série de ações, como incluir a análise de currículo e de perfil na seleção de assessores, subsecretários e coordenadores regionais.
Nossos espaços escolares, nosso currículo, nossas metodologias e rotinas precisam passar por um processo de modernização. Nossas escolas serão espaços acolhedores, inspiradores e desafiadores. Os alunos não podem se sentir inseguros ou com medo. Precisam compreender a relevância do processo educacional e do conteúdo apresentado e, sobretudo, sentir que fazem parte de uma comunidade"
Os métodos de ensino devem se aproximar da forma como aprendemos hoje. Avanços tecnológicos que vêm impactando nossos hábitos e trabalhos serão utilizados. O acesso à internet de qualidade deve ser viabilizado. Novas descobertas das neurociências influenciarão nossas ações pedagógicas. Atividades que proporcionam o desenvolvimento de habilidades e competências essenciais para a vida serão incluídas nos planejamentos de aulas.
Estímulo aos professores
Os professores, em geral, são pessoas idealistas, que se sentem desestimulados e incapazes frente ao sistema. A carreira precisa ser atraente, com formações (iniciais e continuadas) que privilegiam a prática de forma efetiva e a constante melhoria, respeitando a singularidade de cada profissional.
O trabalho dos professores depende de materiais didáticos de qualidade e de metodologias mais atuais. Macrotendências mundiais na didática, como aprendizagem baseada em projetos, personalização e gamificação, serão conhecidas e praticadas, com infraestrutura adequada para sua utilização.
Além disso, sabemos que a comunidade escolar é constituída por outros atores e que a aprendizagem pode acontecer a qualquer hora, em qualquer lugar. Diferenças na participação de familiares são perceptíveis antes mesmo da pré-escola, já que os anos iniciais são decisivos para o desenvolvimento do cérebro.
O número de palavras conhecidas por uma criança quando ela inicia sua vida escolar tem grande influência sobre seu sucesso acadêmico, uma vez que quanto mais sabemos, mais facilidade temos para aprender. Devemos aumentar a integração e melhorar a qualidade nas relações entre escola, família e bairro. Combateremos, com políticas públicas adequadas, a violência urbana, que contribui para a baixa aprendizagem.
Investimento em formação
Vamos investir no aumento da eficiência da gestão, em níveis micro e macro. Nossos diretores e coordenadores de escolas necessitam ter formação e ferramentas adequadas. As políticas educacionais devem ser calcadas em evidências científicas e referenciadas por tendências globais.
Precisamos melhorar a implementação e a avaliação dessas políticas, além da articulação com outras pastas, como cultura, esportes, saúde e assistência social. A burocracia deve ser inteligente e ágil. A descontinuidade de quadros profissionais, de políticas e de projetos só deve acontecer quando comprovadamente ineficientes.
Transformar uma rede de educação é uma tarefa extremamente complexa, que requer respeito, diálogo e planejamento para que tenhamos profissionais e alunos comprometidos e motivados. Apesar da quantidade e do tamanho dos desafios, que não devem ser subestimados, sabemos que essa é a mais importante de todas as causas e enxergamos essa oportunidade como uma missão.
Vamos, juntos, escolas, famílias e toda a sociedade fazer o que precisa ser feito para que possamos fazer a travessia da realidade que temos para a realidade que precisamos, queremos e merecemos.
*Rafael Parente – PhD em Educação pela NYU e futuro secretário de Educação do DF


Artigo do Secretário de Educação do próximo governo do Distrito federal na revista Metrópoles.
Me pareceu interessante à primeira vista pelos ‘assuntos’ abordados!

Meu amigo professor Evandir Pettenon do CEd 310 de Santa Maria-DF me enviou a imagem abaixo (que parece ser de um perfil do nosso futuro chefe) afirmando que o mesmo é progressista - ele, professor Evandir, já havia me dito antes que “esperava ele (o próximo secretário de educação) bem mais neoliberal”, pois algumas das suas ligações são de muito interesse de grupos neoliberais da iniciativa privada que, com algumas ressalvas, querem se adonar da educação pública brasileira - incluindo do DF – como o “Todos pela Educação”. Ah! Isso é uma avaliação pessoal, minha!
Ainda estou em dúvida se ele é progressista, anti Bolsonaro ou apenas mais um neoliberal adocicado que ‘se importa’ com algumas ‘causas sociais’. Pelo menos uma iniciativa que eu particularmente esperava da parte do próximo Secretário de Educação parece que vai acontecer: que ele convidasse o SINPRO-DF para um bate papo e, segundo uma agenda que me foi repassada, via WhatsApp, pela companheira e diretora do sindicato, professora Goretti, está agendada para o dia (26/11 Reunião com futuro Secretário de Educação (só comissão de negociação) às 9h;) e isto, a meu ver demonstra senão um compromisso verdadeiro ainda impossível de se comprovar (pois só vamos ver isto na prática), uma enorme boa vontade da parte do nosso futuro chefe.
E, afinal, o fato é que 'classificar' alguém - mesmo quando o conhecemos bem - é um processo extremamente contraditório e ainda é muito cedo para opiniões mais abalizadas...
Que ele seja bem vindo!
JKim #Lula LIVRE da Silva (professor do CEF 316 de Santa Maria-DF)


ProfLab e os jogos na formação de professores

sábado, 3 de novembro de 2018

Pra não dizer que não falei das flores




Música Pra não dizer que não falei das flores de Geraldo Vandré

A música "Pra não dizer que não falei das flores" foi escrita e cantada por Geraldo Vandré em 1968, conquistando o segundo lugar no Festival Internacional da Canção desse ano. O tema, também conhecido como "Caminhando", se tornou um dos maiores hinos da resistência ao sistema ditatorial militar que vigorava na época.
A composição foi censurada pelo regime e Vandré foi perseguido pela polícia militar, tendo que fugir do país e optar pelo exílio para evitar represálias.
Letra da música
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Análise e interpretação
Com a sonoridade de um hino, o tema segue um esquema rimático simples (A-A-B-B, ou seja, o primeiro verso rima com o segundo, o terceiro com o quarto e assim por diante). Utiliza também um registro de linguagem corrente, com uma letra fácil de memorizar e transmitir a outras pessoas.
Assim, parece fazer referência às canções que eram usadas em passeatas, protestos e manifestações contra o regime, que se espalhavam pelo país no ano de 1968. A música era, então, usada como um instrumento de combate, que pretendia divulgar, de forma direta e concisa, mensagens ideológicas e de revolta.

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

A primeira estrofe assinala isso, com os verbos "caminhando e cantando", que remetem diretamente para a imagem de uma passeata ou um protesto público. Lá, os cidadãos são "todos iguais", mesmo não existindo relação entre si ("braços dados ou não").

Referindo "escolas, ruas, campos, construções", Vandré pretendia demonstrar que pessoas de todos os extratos sociais e com diferentes ocupações e interesses estavam juntas e marchavam pela mesma causa. É evidente a necessidade de união que é convocada e a lembrança de que todos queriam a mesma coisa: liberdade.

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

O refrão, repetido várias vezes ao longo da música, é um apelo à ação e à união. Geraldo fala diretamente com quem escuta a música, chamando para a luta: "Vem". Com o uso da primeira pessoa do plural (em "vamos embora"), imprime um aspeto coletivo à ação, lembrando que seguirão juntos no combate.
Ao afirmar que “esperar não é saber”, o autor sublinha que quem está consciente da realidade do país não pode aguardar de braços cruzados que as coisas mudem. A mudança e a revolução não serão entregues de bandeja para ninguém, é necessário agirem rapidamente (“quem sabe faz a hora, não espera acontecer”).

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Nesta estrofe, é denunciada a miséria em que os agricultores e camponeses viviam e a exploração a que estavam sujeitos ("fome nas grandes plantações"). Existe também uma forte crítica aos pacifistas que pretendiam resolver a crise política com diplomacia e comum acordo, organizados em "indecisos cordões".

Os ideais de "paz e a amor" promovidos pelo movimento da contracultura hippie, o flower power, são simbolizados pelas flores (o "mais forte refrão"). É sublinhada a sua insuficiência contra o "canhão" (a força e a violência da polícia militar).

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Embora as forças militares simbolizassem o inimigo, o poder ditatorial, a música não desumaniza os soldados. Pelo contrário, lembra que estavam “quase todos perdidos de armas na mão”, ou seja, usavam da violência, matavam, mas nem eles mesmos sabiam porquê. Apenas obedeciam ordens cegamente, por causa da lavagem cerebral que sofriam: a "antiga lição / De morrer pela pátria e viver sem razão".

Os soldados, levados por um espírito de falso patriotismo, tinham que dedicar suas vidas e muitas vezes morrer em função do sistema que protegiam e do qual eram também vítimas.

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Na última estrofe, é reforçada a mensagem de igualdade entre todos os cidadãos e a urgência de partirem juntos para a luta, porque só através do movimento organizado poderia chegar a revolução.
A música lembrava que deviam avançar com os "amores na mente", pensando nas pessoas que amavam e foram vítimas da repressão militar. Para serem vitoriosos, era necessário deixarem "as flores no chão", ou seja, abandonarem as abordagens pacifistas.
Estava nas suas mãos "a história", a possibilidade de mudar a realidade do país e o futuro para todos os brasileiros . Deveriam continuar "caminhando e cantando" e "aprendendo e ensinando uma nova lição", transmitindo o seu conhecimento, despertando outras pessoas para a militância.
Significado da música
"Pra não dizer que não falei das flores" é um convite à resistência política radical, um chamamento para todas as formas de luta necessárias para derrubar a ditadura.
Geraldo Vandré fala de flores para tentar mostrar que não é suficiente usar "paz e amor" para combater armas e canhões, sublinhando que a única forma de vencerem era a união e o movimento organizado.
Contexto histórico
1968: repressão e resistência
Em 1968, o Brasil enfrentava um dos piores momentos de repressão política, a instituição do AI-5: um conjunto de leis que conferiam poderes quase ilimitados ao regime.
Face ao autoritarismo e diversos episódios de violência policial, os estudantes universitários começaram a se mobilizar, fazendo protestos públicos que eram recebidos com agressões, mandatos de prisão e, por vezes, assassinatos.
Aos poucos, esses protestos foram se espalhando pelo país e outros grupos se juntaram ao movimento: os artistas, os jornalistas, os padres, os advogados, as mães, etc.
Censura
Retrato de atrizes brasileiras em protesto contra a censura.
Apesar da censura que ameaçava, proibia e perseguia, a música se tornou um dos veículos artísticos usados para transmitir mensagens de cariz político e social.
Os interpretes estavam conscientes do perigo que corriam quando divulgavam publicamente as suas opiniões, mas arriscavam sua vida para desafiar o poder instituído e passar uma mensagem de força e coragem para os brasileiros.
Muitos anos depois do Festival Internacional da Canção de 1968, um dos jurados confessou numa entrevista que "Pra não dizer que não falei das flores" teria sido o tema vencedor. Vandré ficou em segundo lugar devido às pressões políticas que a organização do evento e a TV Globo, rede que emitia o programa, sofreram.
Geraldo Vandré: exílio e afastamento da vida pública
Geraldo Vandré no Festival Internacional da Canção em 1968.
As consequências possíveis para quem desafiava o poder militar eram a prisão, a morte ou, para quem conseguia escapar, o exílio.
Por causa de "Pra não dizer que não falei das flores", Geraldo Vandré começou a ser vigiado pelo Departamento de Ordem Política e Social e teve que fugir.
Viajou por vários países como Chile, Argélia, Alemanha, Grécia, Áustria, Bulgária e França. Quando regressou ao Brasil, em 1975, preferiu se afastar das luzes da ribalta e se dedicar à carreira de advogado.
Sua canção e a mensagem política que ela transmitia, no entanto, entraram para a história da música e da resistência política brasileira.