terça-feira, 27 de agosto de 2019

A condenação de Lula: um crime clamoroso - CartaCapital

A condenação de Lula: um crime clamoroso - CartaCapital: Nada, rigorosamente nada do que foi revelado até aqui, era desconhecido, seja da imprensa, seja do Poder Judiciário

Fantástico: Isso a Globo Não Mostra | #32

10 ações práticas para ajudar a salvar a Amazônia - e você mesmo - CartaCapital

10 ações práticas para ajudar a salvar a Amazônia - e você mesmo - CartaCapital: Para reverter este quadro, precisamos usar tudo o que está acontecendo como forma de expansão de consciência

Suicídio da população LGBT: precisamos falar e escutar - CartaCapital

Suicídio da população LGBT: precisamos falar e escutar - CartaCapital: Jovens LGBT pensam três vezes mais em suicídio que cis heterossexuais e têm cinco vezes mais chances de colocar a ideia em prática

PF atribui a Rodrigo Maia crimes de corrupção, lavagem e "caixa 3" - CartaCapital

PF atribui a Rodrigo Maia crimes de corrupção, lavagem e "caixa 3" - CartaCapital: Presidente da Câmara consta na lista de propina da construtora Odebrecht, diz relatório

Alexandre Giordano, do caso Itaipu, esteve no Planalto em fevereiro - CartaCapital

Alexandre Giordano, do caso Itaipu, esteve no Planalto em fevereiro - CartaCapital: Empresário que teria falado em nome do clã Bolsonaro foi ao Palácio do Planalto um dia após presidente viajar a Foz do Iguaçu

Governo Bolsonaro dinamita mundo do trabalho e põe o Brasil de joelhos - CartaCapital

Governo Bolsonaro dinamita mundo do trabalho e põe o Brasil de joelhos - CartaCapital: Bolsonaro, percebe-se, empenha-se em antecipar no Brasil o cenário apocalíptico descortinado por alguns especialistas

O objetivo da troca de chefe da PF no Rio: salvar a família Bolsonaro - CartaCapital

O objetivo da troca de chefe da PF no Rio: salvar a família Bolsonaro - CartaCapital: Preocupação do presidente alterou peças na receita do Estado. O objetivo é salvar ele próprio, o filho e os colegas milicianos

Como o PSL (com milhões em caixa) está se preparando para as eleições de 2020

Como o PSL (com milhões em caixa) está se preparando para as eleições de 2020: Se o Congresso aprovar 3,7 bilhões de reais para os partidos, a legenda terá meio bilhão em caixa no ano que vem

Presente e futuro do Tinder e de outros aplicativos de encontros - CartaCapital

Presente e futuro do Tinder e de outros aplicativos de encontros - CartaCapital: O amor verdadeiro ainda pode estar a apenas um dedo de distância

Mundo civilizado pune indivíduos, mas preserva empresas criminosas - CartaCapital

Mundo civilizado pune indivíduos, mas preserva empresas criminosas - CartaCapital: Quem comete crimes são os acionistas, diretores, funcionários, mas e as companhias que eles representam?

"Neoliberalismo vive fase autoritária pois concentra renda" - CartaCapital

"Neoliberalismo vive fase autoritária pois concentra renda" - CartaCapital: É o que diz economista brasileiro da Universidade de Londres, para quem o capital financeiro requer combate

"Mostras de imaturidade": livro relata vida de Bolsonaro nos quartéis - CartaCapital

"Mostras de imaturidade": livro relata vida de Bolsonaro nos quartéis - CartaCapital: 'O Cadete e o Capitão – A vida de Jair Bolsonaro no quartel' apresenta outra versão para a sua absolvição por terrorismo

MP da Liberdade Econômica é um Cavalo de Troia para os trabalhadores - CartaCapital

MP da Liberdade Econômica é um Cavalo de Troia para os trabalhadores - CartaCapital: Medida Provisória anarcocapitalista é uma ruptura com a tradição jurídica do País

Bolsonaro e Witzel legalizam milícias na prática, diz Freixo - CartaCapital

Bolsonaro e Witzel legalizam milícias na prática, diz Freixo - CartaCapital: Líder em 2008 da CPI das Milícias do Rio, o deputado as vê mais perigosas do que nunca

Liberdade para o empregador é sinônimo de estímulo à economia? - CartaCapital

Liberdade para o empregador é sinônimo de estímulo à economia? - CartaCapital: A MP da 'Liberdade Econômica' segue a linha do pacote neoliberal de Guedes e pode ser usada para penalizar o trabalhador

Meu Brasil brasileiro: o relato de um náufrago em 3 atos - CartaCapital

Meu Brasil brasileiro: o relato de um náufrago em 3 atos - CartaCapital: O que vemos é um país em frangalhos, mergulhado no caos e na escuridão da fumaça. E a corrupção continua solta por aí

Perguntado se irá à Amazônia, Onyx diz: "Vou ver coisa mais importante" - CartaCapital

Perguntado se irá à Amazônia, Onyx diz: "Vou ver coisa mais importante" - CartaCapital: Ministro-chefe da Casa Civil diz que Europa enxerga no Brasil 'um grande competidor' e quer prejudicá-lo em relações comerciais

Por que a Amazônia é vital para o mundo? - CartaCapital

Por que a Amazônia é vital para o mundo? - CartaCapital: Preservar a Amazônia é essencial para o agronegócio, para a produção de alimentos e para gerar energia no Brasil

Angela Davis, ícone do feminismo negro, vem ao Brasil em outubro - CartaCapital

Angela Davis, ícone do feminismo negro, vem ao Brasil em outubro - CartaCapital: A filósofa e escritora norte-americana participa de eventos e debates em São Paulo e Rio de Janeiro

A inumanidade ultrajante do governador saltitante e seus apoiadores - CartaCapital

A inumanidade ultrajante do governador saltitante e seus apoiadores - CartaCapital: Como alcançar cura para esta sociedade que está doente de medo, de ódio, de falta de sensibilidade com vidas que não lhe sejam próximas?

Secretário de Cultura pede demissão e acusa Bolsonaro de censurar séries LGBTs - CartaCapital

Secretário de Cultura pede demissão e acusa Bolsonaro de censurar séries LGBTs - CartaCapital: Henrique Pires deixa o cargo após o governo suspender edital para obras com temática LGBT

Entramos no cheque especial dos recursos ambientais e muita gente nem se deu conta - CartaCapital

Entramos no cheque especial dos recursos ambientais e muita gente nem se deu conta - CartaCapital: Podemos nós mesmos, no nosso dia a dia, sermos mais criteriosos com nossas escolhas, principalmente com aquilo que compramos

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Nem patriota, nem honesto, nem cristão: desmitificando Jair Bolsonaro

Divulgando de Justificando...



O mito nada mais é que uma concepção imaginária, fabulosa, que criamos ao longo da história para sustentarmos nossa vida. Jair Messias Bolsonaro é por muitas e muitos considerado um “mito” por que se enxergam nele, o colocam num patamar de divindade pois acreditam fortemente que ele é tudo aquilo que no fundo sonham ser . Ocorre, no entanto, que esse “mito” tem perna curta.
Em um vídeo recente, no meio de sua mudança para o PEN — Partido Ecológico Nacional [que terá sua sigla alterada para PATRIOTAS], Jair Bolsonaro afirmou que pretende ser um presidente honesto, cristão e patriota. E não, este discurso não é novidade. Suas quase 3 décadas dentro da política como deputado federal têm sido sustentadas por estes pilares. Ou indo mais longe, a própria ditadura militar de 1964 usou destes “bordões” como base.
No fim das contas, Bolsonaro e a ditadura militar são lados da mesma moeda. Representantes da ignorância, do fascismo e da violência, que tentam se mascarar usando esses apelos populares como a corrupção, a religião e o amor ao país. E, pra variar, nos dois casos vemos que essas mascaras não se encaixam na realidade.
Há mais de século que o petróleo ganhou importância estratégica para as nações — a exploração do mesmo é um instrumento de interesse nacional que garante não só o desenvolvimento econômico do país mas também o social, principalmente pelos royalties vindos de sua exploração (aplicados atualmente no Brasil [no caso do pré-sal] em saúde e educação). Bolsonaro foi a favor de entregar esta nossa riqueza para o estrangeiro.
Não se trata apenas do petróleo, o deputado também é a favor que empresas de fora explorem a floresta Amazônica. Numa visita recente a Manaus, o presidenciável criticou o uso da Amazônia pelos indígenas, povos originários da região, ao mesmo tempo que afirmava ser preciso buscar “parcerias” com países como os EUA para exploração das riquezas minerais da floresta. Onde está o patriotismo de Bolsonaro?
E quando vamos ver o “manto de honestidade” que usa para se esconder, é notável que tal manto não serve nele. Bolsonaro já foi do PTB, do PP, agora é do PSC e tá de namorico com o PR, todos partidos cobertos até a cabeça por casos de corrupção e que repassaram dinheiro do financiamento eleitoral de grandes empresas para ele durante as campanhas; por exemplo, os 200 mil reais da JBS S/A, investigada na operação “Carne Fraca”, em 2014 : em entrevista na Jovem Pan ele explica que devolveu o dinheiro para o partido (mas admite que o partido mandou a mesma quantia de volta pra ele logo depois).
Igualmente, até hoje, Jair Bolsonaro, acusado de receber 50 mil reais em propinas no esquema de caixa-dois em Furnas, não conseguiu explicar seu nome envolvido nessa maracutaia. Apesar de negar seu envolvimento, a “Lista de Furnas” teve autenticidade comprovada pela Polícia Federal, que concluiu “que a lista não foi montada e que é autêntica a assinatura que aparece no documento, de Dimas Toledo, ex-diretor de engenharia de Furnas”.
Bem como, recentemente, o renomado fotógrafo Lula Marques conseguiu registrar uma misteriosa conversa do deputado com seu filho, também parlamentar, Eduardo Bolsonaro, no Whatsapp, onde, na prosa, Jair diz para o filho comprar ”merdas por ai”, mas que não iria o “visitar na Papuda” [prisão do Distrito Federal], e depois fala que se a imprensa descobrir o que ele estava fazendo iriam “comer o fígado” dos dois. Depois deste escândalo, Bolsonaro tentou se justificar dizendo que o filho estava comprando armas na Austrália - historinha muito mal contada e até engraçada por sinal: repentinamente o maior defensor do armamentismo na Câmara dos Deputados iria dizer “compre merdas por ai” por conta de seu filho, que é policial, estar comprando armas? E por que a imprensa “comeria o fígado” de um ex-militar e um policial (agora parlamentares) por qualquer ligação com porte de armas?
Falando em armas, Jair Bolsonaro é autor de um decreto legislativo para proibir o uso de armas por fiscais ambientais  -  afinal, bandido bom é bandido morto, menos seus amigos latifundiários (muitos da bancada do boi) que exploram madeira e criam gado em áreas de proteção ambiental ou são caçadores, exportadores ilegais de animais silvestres ou multinacionais farmacêuticas praticantes de biopirataria. Criminoso mesmo é quem quer proteger o meio ambiente. Lembrando que o deputado já foi pego praticando pesca ilegal em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, e inclusive enfrentou processo no STF por conta disso (mas, infelizmente, o processo não deu em nada pelo fato de ser um parlamentar).
Também, mais recentemente, descobriu-se que ele e seus filhos empregaram diversos familiares em cargos de gabinete na Câmara dos Deputados — o que pode ser lido pela justiça como nepotismo. Inclusive, a defesa da família é um dos jargões de Bolsonaro quando se trata de sua suposta moral cristã. Mas como pode uma pessoa seguir os ensinamentos de Jesus Cristo e agir como o deputado age?
E realmente, Jesus Cristo de Nazaré sempre pregou a palavra do amor, do perdão e da empatia. Qualquer pessoa que siga seu evangelho sabe muito bem disso. O famoso evangelho de João 8 que nos conta o caso da adúltera que estava sendo apedrejada é uma amostra explícita sobre como posições que Bolsonaro e tantos outros conservadores defendem vão totalmente contra as pregações de Jesus.
Mas nada disso importa. Está tudo bem dizer que se visse dois homens se beijando na rua ela iria agredir, que as minorias têm que se curvar às maiorias ou então [devem] desaparecerem, que o erro da ditadura militar foi ter matado pouco, ou falar pra uma colega parlamentar duas vezes que só não a estupraria pois ela não merece -  é só se esconder atrás de uma falsa moral cristã, um discurso de patriotismo e parecer cumprir nada mais nada menos que a obrigação de não ser corrupto.
Já deu para ver o antro de contradições que circunda Bolsonaro, mas, infelizmente, sabemos que a maioria de seus apoios vem de muito mais fundo dentro dessa cova e o combate contra a corrupção e a religião são usados apenas de pretextos. Mas enquanto tivermos voz seguiremos denunciando: o mito será desmitificado.
Otávio Pereira é graduando em Pedagogia pela Universidade Federal de Minas Gerais.
Texto publicado originalmente no Medium.
Leia mais:
Bolsonaro poderá ser réu por racismo contra quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs
Tags
Sábado, 14 de abril de 2018
CONTATO
Justificando Conteúdo Cultural LTDA-EPP
redacao@justificando.com


 

Uma história muito bem contada: as narrativas de Jair Bolsonaro via Twitter e Youtube

Divulgando de Justificando...


Coluna Féministas Por Catia Eli Gemelli
Nossa realidade é construída a partir de narrativas e é através delas que compreendemos o mundo. Tratam-se de dispositivos discursivos utilizados socialmente de acordo com as pretensões dos sujeitos, ou seja, são construções que não costumam ser ingênuas.
Quem se comunica possui uma intenção ao fazê-lo, mesmo que de forma subjetiva. As narrativas, portanto, são formas de exercício de poder e de hegemonia e se constroem com o tempo. Não é em um único e isolado evento que se compreende uma narrativa no sentido de contar uma história, mas a partir de um conjunto de ações ou episódios. É preciso observar sua sequência e encadeamento para compreender quais são as suas intencionalidades.
É sem precedentes o uso das redes sociais para comunicações (inclusive oficiais) do governo, como o faz o atual presidente Jair Bolsonaro. E essa comunicação que se estabelece a partir das redes possui a intencionalidade de contar uma versão própria dos fatos que estão ocorrendo no Brasil na atualidade. Ou seja, Jair Bolsonaro e sua equipe estão construindo sua própria narrativa – “livres da ideologia da imprensa” – em comunicação “direta” com o eleitorado.
Leia também:
Como a internet está matando a democracia
Desde setembro de 2017 – quando ainda deputado federal – o atual presidente da república possui um canal no youtube, chamado “Bolsonaro TV”. É descrito como “Canal oficial de transmissão das últimas notícias e informações sobre o Presidente da República Jair Messias Bolsonaro”. O canal possui mais de 1 milhão e 400 mil inscritos e, até o mês de julho de 2019, os vídeos postados já alcançavam mais de 90 milhões de visualizações.
Todos os vídeos postados possuem uma estrutura muito parecida: são curtos, a maioria com até três minutos de duração; são compostos por montagens de recortes de falas de Bolsonaro, de seus aliados, de jornalistas e de seus adversários políticos; utilizam-se de muitos memes. Outra questão que chama atenção são os títulos desses vídeos que fazem uso de linguagem simples e destacam palavras e frases de tom sensacionalista, tais como: “Bolsonaro ignora jornalistas que tentam abordá-lo com perguntas bestas na entrada do congresso”; “Porta-voz MITA contra perguntas IDIOTAS dos jornalistas sobre manifestação pró-Bolsonaro dia 26”; “ADEUS CORRUPÇÃO! Bolsonaro assina NOVO DECRETO que fiscaliza TODO DINHEIRO PÚBLICO”; “Bolsonaro visita Yasmin após imprensa ESQUERDISTA CALUNIÁ-LO por ser ‘IGNORADO’ pela menina”. “Paulo Guedes dá um show de economia liberal e atrai interesse dos grandes líderes do Mercosul”.
No twitter, o presidente possui uma página pessoal desde o ano de 2010 e possui 4,56 milhões de seguidores. Nesta conta Bolsonaro descreve-se como “Capitão do Exército Brasileiro, eleito 38º Presidente da República Federativa do Brasil” e realiza postagens diárias, muitas delas com comunicados oficiais importantes, tais como nomeação e exoneração de ministros. Afinal, por que a escolha de tornar públicas informações tão importantes através do twitter?
Bolsonaro tem a clara intenção de mostrar-se um presidente acessível ao seu eleitorado, alguém simples e sem formalidade, como no caso dessa mensagem de 27 de julho: “Após ler em meu Face o apelo do leitor Vennicios M. Teles pedindo para baixar impostos sobre jogos eletrônicos, resolvi consultar nossa equipe econômica. Atualmente o IPI varia entre 20 e 50%. Ultimamos estudos para baixá-los. O Brasil é o segundo mercado no mundo nesse setor”. Desta forma, constrói a ideia de ser uma pessoa próxima do povo e de que qualquer eleitor/a pode ter suas necessidades ouvidas e atendidas pelo presidente da república.
Leia também:
Além disso, tanto ele quanto sua equipe sabem que é nas redes sociais que se encontra a sua maior rede de apoio e, portanto, é o local em que suas decisões possuirão maior aceitação. Mas mais do que isso, é a forma que Jair Bolsonaro encontrou de neutralizar e desacreditar o trabalho jornalístico.
Os vídeos no youtube são montados com recortes de fala e memes de forma que Bolsonaro pareça estar “vencendo uma batalha”. Ao mesmo tempo em que esses vídeos possuem títulos de deslegitimação e até ridicularização do trabalho de jornalistas, no dia 20 de julho de 2019 o presidente fez a seguinte postagem na sua conta do twitter: “Não adianta a imprensa me pintar como seu inimigo. Nenhum presidente recebeu tanto jornalista no Planalto quanto eu, mesmo que só tenham usado dessa boa vontade para distorcer minhas palavras, mudar e agir de má fé ao invés de reproduzir a realidade dos fatos”.
Nesta mensagem Bolsonaro acusa a imprensa de fazer algo que ele e sua equipe fazem a todo momento nos recortes e montagens dos vídeos postados no youtube, como mostram os próprios títulos: pintar a imprensa como inimiga e produzir distorções ao invés de reproduzir a realidade dos fatos. O esforço de mostrar a imprensa como inimiga, ideológica e “esquerdista” está também nas postagens do twitter, como nesta também do dia 20 de julho: “Sempre defendi liberdade de imprensa, mesmo consciente do papel político-ideológico atual de sua maior parte, contrário aos interesses dos brasileiros, que contamina a informação e gera desinformação. No fundo, morrem de saudades do PT.”
Outra intencionalidade clara na narrativa construída por Bolsonaro pelas redes sociais é a de simplificar discussões complexas utilizando-se sempre do mesmo discurso que foi a base da sua campanha de governo “combate à doutrinação ideológica e à corrupção”. Não importa qual seja o tema, em suas declarações nas redes sociais ele encontra uma forma de transformar suas decisões em empreitadas na “guerra contra a ideologia de esquerda e à roubalheira dos governos anteriores”.
Esse é o caso de tweet postado no dia 22 de julho sobre o decreto que extinguiu vagas de especialistas no Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), diminuindo a presença da sociedade nesses órgãos: “Há décadas a esquerda se infiltrou em nossas instituições e passou a promover sua ideologia travestida de posicionamentos técnicos. O decreto que assinei hoje extingue vagas para órgãos aparelhados no Conselho Nacional sobre Drogas e acaba com o viés ideológico nas discussões”.
“Vou falar do PT sempre. Não adianta chorar”
Sempre que sente a necessidade, seja para encerrar um debate do qual não quer participar ou desviar de questões relativas às suas decisões, cita e responsabiliza os governos anteriores: “Vou falar do PT sempre. Não adianta chorar. Não é porque perderam a eleição que seus crimes devem ser ignorados. Os efeitos devastadores do desgoverno da quadrilha ainda podem ser sentidos e é papel de todo aquele que que ama o Brasil lembrar quem foram os culpados.” (Tweet de 20/07/2019).
Por fim, Bolsonaro constrói uma narrativa de “defesa” ao “ataque” da mídia e de “inimigos do povo”, como neste twitter do dia 8 de julho: “A FUNAI, como regra, “cuidava” de tudo, menos do índio. Cada ninho de ratos que toco fogo, mais inimigos coleciono. Acredito no Brasil porque confio em você, cidadão de bem.” Trata-se da construção de uma figura heroica que se põe em risco pela pátria e pelos “defesa dos cidadãos de bem”. A imagem abaixo postada no twitter de Bolsonaro no dia 19 de julho de 2019 ilustra claramente essa construção:
http://www.justificando.com/wp-content/uploads/2019/07/2019-07-30-05.33.00-pm.png
Catia Eli Gemelli é doutoranda em Administração na UFRGS e professora de Administração no IFRS/Campus Osório.
Tags
Terça-feira, 30 de julho de 2019
CONTATO
Justificando Conteúdo Cultural LTDA-EPP
redacao@justificando.com